Muitas pessoas creem que o Dia Internacional da Mulher teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York, em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas foi apenas em 8 de março de 1917, quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, por conta das más condições de trabalho, fome e participação russa na Primeira Guerra Mundial – em um protesto conhecido como “Pão e Paz” – que a data consagrou-se.

Vale destacar, no entanto, que apenas 60 anos mais tarde, em 1977, que o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas. De 1911 para cá, algumas conquistas foram alcançadas pelas mulheres, mas o cenário ainda está muito longe de ser o ideal. Como forma de homenagear e alertar para uma realidade ainda bastante desigual, realizamos, durante a primeira semana do mês de março, estudos detalhados em nosso BIG DATA GEOpop sobre diferentes aspectos da participação das mulheres na sociedade brasileira.

Municípios com maior percentual de mulheres

Cinco dos dez municípios com maior percentual de mulheres encontram-se na região nordeste do país. Natal sai na frente com um total de 55,39% de habitantes do sexo feminino em sua população, seguido por São José, em Santa Catarina (54,92%), Santos (54,81%), Recife (54,71%) e Vitória (54,39%).

Top 10 municípios* com maior percentual de mulheres

Ranking Município UF Total da População % Mulheres
1 Natal RN 890.480 55,39%
2 São José SC 251.383 54,92%
3 Santos SP 438.711 54,81%
4 Recife PE 1.653.461 54,71%
5 Vitória ES 365.855 54,39%
6 Fortaleza CE 2.686.612 54,36%
7 Niterói RJ 528.281 54,28%
8 João Pessoa PB 817.501 54,17%
9 Rio de Janeiro RJ 6.747.815 54,15%
10 Aracaju SE 664.908 54,05%

Fonte: IBGE, ano base 2010. Processo de atualização: Projeção Demográfica Cognatis
* Municípios com mais de 250.000 habitantes

Em contrapartida, cinco municípios da região norte do país concentram a menor quantidade de mulheres, como a cidade de Palmas (49%), em Tocantins, no topo da lista, seguida por Porto Velho (49,78%), Marabá e Macapá (50,01%), e Boa Vista (50,59%).

Top 10 municípios* com menor percentual de mulheres

Ranking Município UF Total da População % Mulheres
1 Palmas TO 306.551 49,00%
2 Porto Velho RO 538.376 49,78%
3 Marabá PA 283.496 50,01%
4 Macapá AP 512.671 50,01%
5 Boa Vista RR 419.975 50,59%
6 Joinville SC 596.726 50,81%
7 Itaquaquecetuba SP 370.828 50,84%
8 Ponta Grossa PR 354.678 50,86%
9 Aparecida de Goiânia GO 589.948 50,88%
10 Rio Branco AC 413.896 50,88%

Fonte: IBGE, ano base 2010. Processo de atualização: Projeção Demográfica Cognatis
* Municípios com mais de 250.000 habitantes

Municípios com maior percentual de mulheres chefes de família

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o percentual de domicílios brasileiros comandados por mulheres saltou de 25%, em 1995, para 45% em 2018, devido, principalmente, ao crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. Ainda segundo essa pesquisa divulgada em fevereiro de 2020, 43% das mulheres que são chefes de família hoje no Brasil vivem com um parceiro – sendo que 30% têm filhos e 13% não. Já o restante das 34,4 milhões responsáveis pelo lar se dividem entre mulheres solteiras com filho (32%), mulheres que vivem sozinhas (18%) e mulheres que dividem a casa com amigos ou parentes (7%).

Para entender em qual região do país encontram-se em maior número as chefes de família, fizemos um levantamento que trouxe Porto Alegre no topo da lista com 49,84% de mulheres ocupando essa posição na estrutura familiar, seguida pelos municípios São  Luís (47,53%), Recife (47,42%), Santos (47,07%) e Pelotas (46,84%).

Top 10 municípios* com maior percentual de mulheres chefe de família

Ranking Município UF % Mulheres % Mulheres Chefe de Família
1 Porto Alegre RS 53,46% 49,84%
2 São Luís MA 53,49% 47,53%
3 Recife PE 54,71% 47,42%
4 Santos SP 54,81% 47,07%
5 Pelotas RS 53,07% 46,84%
6 Belém PA 53,65% 46,84%
7 Niterói RJ 54,28% 46,56%
8 Rio de Janeiro RJ 54,15% 46,52%
9 Olinda PE 54,01% 46,50%
10 Teresina PI 52,98% 46,35%

Fonte: IBGE, ano base 2010. Processo de atualização: Projeção Demográfica Cognatis
* Municípios com mais de 250.000 habitantes

Já as cidades com menor percentual de mulheres chefes de família são Ipatinga (30,85%), Joinville (34,49%), São José dos Campos (34,80%), Indaiatuba (35,23%) e São Carlos (35,42%).

Top 10 municípios* com maior percentual de mulheres chefe de família

Ranking Município UF % Mulheres % Mulheres Chefe de Família
1 Ipatinga MG 52,16% 30,85%
2 Joinville SC 50,81% 34,49%
3 São José dos Campos SP 52,14% 34,80%
4 Indaiatuba SP 51,33% 35,23%
5 São Carlos SP 52,11% 35,42%
6 Serra ES 51,60% 35,58%
7 Sumaré SP 51,68% 35,68%
8 Limeira SP 51,89% 35,74%
9 Anápolis GO 51,69% 35,79%
10 Betim MG 51,95% 36,14%

Fonte: IBGE, ano base 2010. Processo de atualização: Projeção Demográfica Cognatis
* Municípios com mais de 250.000 habitantes

Número de mulheres em cargos gerenciais ainda é pouco representativo

Embora mais instruídas que os homens, as mulheres ainda têm dificuldades de acessar cargos de chefia e gerência no mercado de trabalho. Segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, no Brasil, apenas 37,4% dos cargos gerenciais existentes são ocupados por mulheres. Nossos levantamentos feitos no BIG DATA GEOpop® mostraram que as cinco posições com mais mulheres no comando são aquelas voltadas para gestão de pessoas.

Cargos gerenciais com mais profissionais do sexo feminino

Cargo Feminino % Feminino Masculino % Masculino Total Geral
Diretor de instituição educacional pública 8.519 85,05% 1.498 14,95% 10.017
Gerente de serviços de saúde 9.718 74,60% 3.309 25,40% 13.027
Gerente de recursos humanos 13.561 71,95% 5.288 28,05% 18.849
Gerente de departamento pessoal 8.587 65,39% 4.544 34,61% 13.131
Gerente de contas – pessoa física e jurídica 25.327 61,60% 15.785 38,40% 41.112
Gerente financeiro 16.003 54,70% 13.253 45,30% 29.256
Gerente de marketing 11.779 53,33% 10.308 46,67% 22.087
Gerente de restaurante 18.925 53,04% 16.756 46,96% 35.681
Gerente administrativo 97.723 47,93% 106.150 52,07% 203.873

Fonte: GEOpop® baseado em dados do CAGED, ano base 2018
*mais de 10.000 trabalhadores cadastrados na CAGED 2018

Neste mesmo estudo, conhecemos as cinco profissões gerenciais com menos profissionais do sexo feminino. São elas: Gerente de projetos e serviços de manutenção (15,58%), Gerente de logística (17,27%), Gerente de produção e operações (19,83%), Gerente de projetos de tecnologia da informação (28,40%), Gerente de pesquisa e desenvolvimento (32,61%).

Cargos gerenciais com menos profissionais do sexo feminino

Cargo Feminino % Feminino Masculino % Masculino Total Geral
Gerente de projetos e serviços de manutenção 2.624 15,58% 14.866 84,42% 16.845
Gerente de logística (armazenagem e distribuição) 3.742 17,27% 17.920 82,73% 21.662
Gerente de produção e operações 7.603 19,83% 30.739 80,17% 38.342
Gerente de projetos de tecnologia da informação 3.060 28,40% 7.713 71,60% 10.773
Gerente de pesquisa e desenvolvimento (p&d) 4.328 32,61% 8.942 67,39% 13.270
Diretor geral de empresa e organizações (exceto de interesse público) 4.900 33,54% 9.711 66,46% 14.611
Gerente de vendas 29.702 36,83% 50.952 63,17% 80.654
Gerente de compras 4.338 37,05% 7.372 62,95% 11.710
Gerente comercial 40.274 39,06% 62.830 60,94% 103.104
Gerente de bar 4.328 40,07% 6.474 59,93% 10.802

Fonte: GEOpop® baseado em dados do CAGED, ano base 2018
*mais de 10.000 trabalhadores cadastrados na CAGED 2018

Profissões em que elas são a maioria

Houve um tempo (não muito distante) em que certas profissões eram consideradas estritamente voltadas para os homens. No entanto, a ideia de que o homem tem mais força ou habilidade para certos trabalhos em relação à mulher tem sido constantemente descartada. Profissões relacionadas à força e às matérias exatas, como a matemática, vem sendo cada vez mais procuradas por mulheres ao redor do mundo. Os cursos de engenharia, ainda que predominantemente frequentados pelos homens, já estão formando mais mulheres e diminuindo, progressivamente, a disparidade entre os gêneros na área.

Na aeronáutica, por exemplo, mulheres eram profissionais raras, mas hoje atuam em praticamente todos os setores, sendo pilotos ou comandantes de organizações militares. Segundo a Força Aérea Brasileira, desde o ano de 2003, a participação das mulheres aumentou em 277%, e elas já equivalem a 14,55% do efetivo atual de militares. No entanto, o assunto ainda é um desafio com muitas barreiras para serem destruídas.

Por meio do nosso BIG DATA GEOpop, fomos descobrir quais são as profissões em que as mulheres ainda são minoria no Brasil. No topo dessa lista, está o de “praça da marinha”, posto em que há atualmente apenas 11 mulheres em todo o país.

Profissões com menor percentual de mulheres

Profissão Feminino % Feminino Masculino % Masculino Total Geral
Praça da marinha 11 0,03% 35.733 99,97% 35.744
Carpinteiro de obras 61 0,30% 20.035 99,70% 20.096
Carpinteiro 256 0,60% 42.378 99,40% 42.634
Armador de estrutura de concreto armado 106 0,61% 17.369 99,39% 17.475
Armador de estrutura de concreto 96 0,63% 15.213 99,37% 15.309
Montador de andaimes (edificações) 121 0,65% 18.370 99,35% 18.491
Instalador de linhas elétricas de alta e baixa – tensão (rede aérea e subterrânea) 163 0,66% 24.540 99,34% 24.703
Caldeireiro (chapas de ferro e aço) 144 0,69% 20.644 99,31% 20.788
Pedreiro 1.453 0,70% 207.059 99,30% 208.512
Operador de escavadeira 121 0,71% 17.019 99,29% 17.140

Fonte: GEOpop® baseado em dados do CAGED, ano base 2018
*profissões com mais de 10,000 trabalhadores cadastrados na CAGED 2018

Em compensação, a profissão em que há mais mulheres trabalhando é a de professora de educação infantil com nível médio. O que torna este dado bastante interessante é a porcentagem em comparação com o sexo masculino: 95,81%. Sem dúvida, um estereótipo que ainda precisa ser desmantelado. Logo abaixo, de segundo a quinto lugar, temos as profissões esteticista (95,80%), manicure (95,75%), babá (95,59%) e auxiliar de desenvolvimento infantil (95,27%).

Profissões com maior percentual de mulheres

Profissão Feminino % Feminino Masculino % Masculino Total Geral
Pedagogo 23.199 91,21% 2.236 8,79% 25.435
Copeiro de hospital 21.444 93,36% 1.525 6,64% 22.969
Auxiliar em saúde bucal 30.002 93,75% 2.001 6,25% 32.003
Assistente social 37.430 94,12% 2.340 5,88% 39.770
Nutricionista 26.290 94,74% 1.459 5,26% 27.749
Professor de nível superior na educação infantil (zero a três anos) 25.444 95,19% 1.286 4,81% 26.730
Auxiliar de desenvolvimento infantil 101.643 95,27% 5.046 4,73% 106.689
Babá 9.871 95,59% 455 4,41% 10.326
Manicure 11.501 95,75% 511 4,25% 12.012
Esteticista 10.992 95,80% 482 4,20% 11.474
Professor de nível médio na educação infantil 121.109 95,81% 5.290 4,19% 126.399

Fonte: GEOpop® baseado em dados do CAGED, ano base 2018
*profissões com mais de 10,000 trabalhadores cadastrados na CAGED 2018

Os números não negam: as mulheres ganham menos que os homens

Em 2019, as mulheres receberam apenas 77,7% do salário dos homens, segundo dados divulgados pelo IBGE, no último dia 4. A diferença mostrou-se ainda mais elevada em cargos de maior rendimento, como diretores e gerentes, grupo em que a discrepância chegou a 61,9%.

Para entender onde estão as maiores disparidades, fizemos um levantamento em em nosso BIG DATA GEOpop®, que mostrou um dado ainda mais revelador: em nenhuma cidade brasileira, a renda média das mulheres é maior ou igual à dos homens. A pesquisa mostrou também que a região sudeste é a que apresenta maior desigualdade salarial.

Top 10 municípios* com maior desigualdade de renda entre sexos

Município UF % Mulheres Renda Média dos Homens Renda Média das Mulheres
Relação entre a renda das mulheres e a dos homens
São José dos Campos SP 52,14% R$ 2.489,54 R$ 1.924,64 0,77
São José SC 54,92% R$ 1.840,09 R$ 1.414,79 0,77
Sorocaba SP 52,21% R$ 2.326,08 R$ 1.785,13 0,77
Indaiatuba SP 51,33% R$ 2.479,99 R$ 1.869,65 0,75
Sumaré SP 51,68% R$ 2.704,44 R$ 2.022,33 0,75
Camaçari BA 52,96% R$ 2.673,67 R$ 1.919,53 0,72
Barueri SP 51,64% R$ 3.616,12 R$ 2.569,44 0,71
Vitória ES 54,39% R$ 2.535,62 R$ 1.767,21 0,70
Imperatriz MA 52,06% R$ 1.850,00 R$ 1.282,00 0,69
Macaé RJ 51,62% R$ 3.142,51 R$ 2.114,87 0,67

Fonte: GEOpop® baseado em dados do IBGE, ano base 2010. Projeção demográfica: Cognatis
*Municípios acima de 250 mil habitantes
** Funcionários públicos não constam da análise

Também listamos abaixo os municípios onde a disparidade é menor, mas ainda assim existente:

Top 10 municípios* com menor desigualdade de renda entre sexos

Município UF % Mulheres Renda Média dos Homens Renda Média das Mulheres Relação entre a renda das mulheres e a dos homens
Ananindeua PA 52,89% R$ 1.313,58 R$ 1.293,45 0,98
Campina Grande PB 52,74% R$ 1.105,14 R$ 1.088,16 0,98
Belém PA 53,65% R$ 1.515,39 R$ 1.478,78 0,98
Juazeiro do Norte CE 52,92% R$ 1.206,05 R$ 1.168,81 0,97
São João de Meriti RJ 53,24% R$ 1.543,85 R$ 1.492,23 0,97
Santarém PA 51,05% R$ 1.399,27 R$ 1.336,51 0,96
Praia Grande SP 52,85% R$ 1.596,87 R$ 1.521,90 0,95
Fortaleza CE 54,36% R$ 1.511,70 R$ 1.436,19 0,95
Caruaru PE 53,99% R$ 1.259,17 R$ 1.195,53 0,95
Salvador BA 53,87% R$ 1.687,31 R$ 1.598,23 0,95

Fonte: GEOpop® baseado em dados do IBGE, ano base 2010. Projeção demográfica: Cognatis
*Municípios acima de 250 mil habitantes
** Funcionários públicos não constam da análise

O que torna essa realidade de desigualdade salarial menos verossímil é que os números levantados mostram, ainda, que mais mulheres têm diploma de faculdade. Segundo dados do relatório Education at a Glance 2019, publicado pela OCDE , as mulheres têm 34% mais chances de se formarem no ensino superior se comparadas com os homens. O Censo da educação superior, realizado pelo Inep confirma essa informação.

Para encerrar nossa homenagem, trazemos a atenção para um tema que está cada vez mais recorrente na notícias dos jornais: ao mesmo tempo em que os números acima mostram que as mulheres estão mais presentes no mercado de trabalho, assumindo responsabilidades antes tidas como exclusivas de homens, também cresce diariamente a violência contra elas.O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de Feminicídio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). O país só perde para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia em número de casos de assassinato de mulheres. Segundo relatório gerado pelo Fórum  Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de casos de feminicídio no Brasil cresceu 22% durante o período da pandemia do Coronavírus. O levantamento, que analisou 12 estados, indica que o Acre foi onde os casos mais cresceram – 300% de aumento no número de casos reportados. Em segundo lugar ficou Maranhão com 166,7% de aumento e depois Mato Grosso, com 150%. Sem dúvida, são números aterradores que merecem, mais do que nunca, serem questionados.

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