Um tema bastante interessante e que vale a discussão hoje em dia, diz respeito ao consumo per capita de água. A crise hídrica do Brasil também já é experimentada por outros países que sofrem do mesmo problema.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma pessoa necessita de um consumo mínimo de 110 litros de água por dia – essa medida supostamente seria suficiente para um indivíduo saciar a sede, cuidar apropriadamente da higiene e preparar os alimentos.

Para se ter uma ideia, um cidadão que vive na Dinamarca, consome atualmente 107 litros de água por dia, enquanto que a média brasileira é de 166,3 litros per capita/dia. Muitos poderão imediatamente apontar que a razão para essa disparidade está na diferença do clima e da média de temperatura entre os países, já que supõe-se, no calor, as pessoas consomem mais água. Contudo, foi registrado na Dinamarca que até a década de 80, cada cidadão dinamarquês consumia, em média, 60 mil litros de água por ano, cerca de 164 litros por dia – praticamente a mesma média registrada pelo Brasil hoje em dia.

Por lá, adotaram-se medidas de cobrança, na qual a população paga pelo chamado “preço cheio da água”, que inclui, além do que é consumido, as taxas ambientais e de serviços. Porém há também outros fatores que colaboraram para diminuir o consumo, como a realização de uma grande campanha de conscientização juntamente com o desenvolvimento de aparelhos para economizar água, como chuveiros e banheiros, por exemplo. Outro ponto crucial para a diminuição, diz respeito à redução na queda do porcentual na captação de água, freando o vazamento por companhias de abastecimento de 15% na década de 80 para 5% atualmente. No Brasil a média é de 30 a 40% de vazamento, dependendo do município.

No território brasileiro, consta-se que o consumo médio diário per capita de água aumentou 26% nos 33 municípios da região metropolitana de São Paulo, enquanto que a produção ampliou apenas 9% no período entre 2004 e 2013. Hoje o consumo do morador da Grande SP, beira os 175 litros por dia. Dados do SNIS revelam que o estado do Rio é o campeão de consumo, registrando índice em 2013 de 253,1 litros por dia.

Especialistas apontam que o aumento na utilização também está relacionado com o aumento da renda. Quanto mais aumenta a qualidade de vida, maior será o consumo. De acordo com levantamento da Folha, há uma diferença inclusive dentro das próprias cidades. Um morador da periferia consome até cinco vezes menos do que um morador da zona central de São Paulo.

A conscientização da população é tão importante quanto uma gestão eficiente direcionada aos processos de gestão hídrica. Há, portanto, diversas soluções para promover mudanças e alterar esse cenário crítico atual. Entre elas está a possibilidade de contar com a combinação entre o geomarketing e as aplicações de modelagem estatística e de demografia, contribuindo para formar um poderoso ferramental capaz de apoiar gestores públicos no planejamento de oferta de serviços.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *