Criada em 2019, a campanha “Fevereiro Laranja” tem o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre a leucemia, a relevância de um diagnóstico precoce da doença e a importância de se tornar um doador de medula óssea. Apesar de não ser muito divulgada, essa campanha é de grande valor. Estatísticas de 2020 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que a leucemia ocupa o 9º lugar em tipo de câncer mais comum no sexo masculino e 11º no feminino. O estudo revela que, para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 5.920 novos casos de leucemia em homens e 4.890 em mulheres.

Com início na medula óssea, onde são fabricadas as células sanguíneas que dão origem aos glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas, a leucemia é uma doença com potencial de atingir de crianças a idosos. Segundo informações fornecidas pelo INCA, o risco de desenvolvimento da leucemia linfoide aguda é maior em crianças de até 5 anos. Após essa idade, as chances declinam lentamente até a faixa dos 20 anos e voltam a aumentar após os 50. A estimativa levantada é que apenas cerca de 40% dos casos de LLA (leucemia linfoide aguda) acontecem em adultos. No entanto, vale ressaltar que a maioria das mortes pela doença ocorre em adultos. As literaturas médicas destacam que isso ocorre devido às diferenças de manifestação da doença em cada faixa etária, assim como por conta do tipo de tratamento, uma vez que o organismo das crianças, muitas vezes, mostra-se mais resiliente que o dos adultos.

Os diferentes tipos de leucemia

Leucemia é um nome que designa um conjunto de cânceres que atingem os glóbulos brancos do sangue, comprometendo o sistema de defesa do organismo. Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que os mais comuns são:

  • Leucemia mieloide aguda (LMA): afeta as células mieloides e avança rapidamente. Ocorre tanto em adultos quanto em crianças, mas a incidência é maior a partir dos 50 anos.
  • Leucemia mieloide crônica (LMC): afeta células mieloides e seu desenvolvimento é mais lento, a princípio. Maior incidência entre adultos.
  • Leucemia linfoide aguda (LLA): afeta células linfoides e se agrava de maneira bastante rápida. Tipo mais comum em crianças até 5 anos, mas pode atingir adultos também.
  • Leucemia linfoide crônica (LLC): afeta células linfóides e se desenvolve de forma lenta. Mais rara em crianças, é principalmente diagnosticada em adultos com mais de 55 anos.

As taxas de sobrevivência são mais baixas para a leucemia mieloide aguda (LMA) e mais altas para pacientes com leucemia linfoide aguda (LLA). Importante ressaltar, ainda assim, que as chances de recuperação da doença dependem muito de fatores como a idade da pessoa e em qual estágio da leucemia foi iniciado o tratamento.

Doação de Medula Óssea

O Transplante de Medula Óssea ou TMO, hoje também chamado por transplante de células-tronco hematopoéticas, é um procedimento utilizado para substituir a medula óssea do paciente com leucemia. Ele pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente, ou alogênico, quando a medula vem de um doador. Atualmente, são 850 pacientes cadastrados no REDOME (Registro de Doação de Medula Óssea – INCA) em busca de doador não aparentado.

A boa notícia é que, segundo o INCA, o número de doadores voluntários tem aumentado expressivamente nos últimos anos. Em 2009, existiam apenas 1.370.970 inscritos. Em 2020, o número de doadores chegou a 5.304.714.

Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer.

Outra ótima notícia que o Instituto Nacional do Câncer apresenta é que a chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca é de até 88%, e, ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado. Os números mostram ainda que o Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (quase 7,9 milhões de doadores) e da Alemanha (cerca de 6,2 milhões de doadores).

Mesmo em 2020, em meio à quarentena provocada pela COVID-19, houve a inscrição de 229.072 novos doadores, um número menor que 2019, que teve 291.361 novos cadastros, mas, ainda assim, um resultado bastante importante se considerarmos o cenário que vivemos.

Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer.

Evolução de novos casos segundo o GEOpop®

Abaixo, é possível acompanhar informações sobre a incidência de Leucemia em algumas capitais do Brasil extraídas da nossa base de dados GEOpop®

Casos de Leucemia nas maiores capitais Brasileiras – 2020

Nome do Município UF Leucemia – Novos Casos 2020 População Leucemia por 100.000 hab Projeção novos casos de Leucemia 2025
Porto Alegre RS 134 1.488.252 9,00 144
Florianópolis SC 37 508.774 7,27 43
Brasília DF 217 3.055.149 7,10 255
Rio de Janeiro RJ 431 6.747.815 6,39 466
Recife PE 99 1.653.461 5,99 109
Manaus AM 132 2.220.010 5,95 155
Belo Horizonte MG 145 2.521.564 5,75 158
Fortaleza CE 143 2.686.612 5,32 160
Salvador BA 146 2.886.710 5,06 160
Maceió AL 44 1.025.345 4,29 49
Curitiba PR 79 1.948.626 4,05 88
São Paulo SP 410 12.323.874 3,33 450

Fonte: GEOpop® Cognatis baseado em dados do INCA 2020

Um dos módulos do nosso BIG DATA GEOpop®, voltado para a área de saúde, reúne informações sobre tipos de câncer para todos os municípios brasileiros, bairros, sexo, dentre outras. Esses dados são fundamentais para auxiliar empresas do setor de saúde e governos a planejarem investimentos, campanhas e políticas para o tratamento e prevenção dos diversos tipos de câncer. As informações desenvolvidas pela nossa equipe usam dados históricos e sociodemográficos, para criar projeções de incidência de câncer no futuro fundamentais para direcionar investimentos de longo prazo.

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