Os registros do crescimento da religião islâmica no Brasil ainda soam como novidade para muitas pessoas, no entanto, a religião cresce de maneira firme dentro de alguns quadros sociais demográficos. As perspectivas podem sugerir que, em algumas gerações, o islamismo notabilize uma expansão maior no futuro, alterando o panorama cultural da sociedade brasileira.

Nota-se que, de acordo com uma reportagem do Le Monde e com a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, já existem aproximadamente um milhão de fiéis em solo brasileiro. A tolerância e a aceitação brasileira – embora devam ser cuidadosamente avaliadas, visto que os relatos de preconceito não escapam aos olhos da visibilidade pública -, ao menos em comparação com países do continente europeu, são considerados fatores positivos e que propiciam a adesão de novos adeptos.

A adesão à nova religião está intimamente ligada às áreas periféricas e se deve também, segundo reportagem da CBN, pela associação com o movimento negro e com o hip-hop, que contribuem em criar laços de identificação com a cultura na qual estão inseridos. Na reportagem, a pesquisadora Bianca Tomassi, acredita que os convertidos buscaram essa mesma identificação em outras religiões, contudo, só no islã encontraram condição favorável para projetar – possivelmente – a necessidade de serem ouvidos e representados.

A reportagem do Le Monde ajudou também a apontar mais detalhes que caracterizam os novos adeptos: cerca de 70% são mulheres, com alto nível de escolaridade e que provém de bairros periféricos, ambiente no qual “as mensagens de justiça social e igualdade racial trazidas pelo islã conhecem um desenvolvimento notável”, examina Le Monde.

Fenômeno recente, o crescimento do islamismo no Brasil não deve parar por aí. O relatório, intitulado “O futuro das religiões do mundo: População e Projeções de Crescimento 2010-2050”, do Centro Pew, indica que o islamismo deverá se tornar a religião com o maior crescimento mundial nas próximas quatro décadas. O estudo calculou que a religião islamita será praticada até 2050 por 29,7% da população mundial, enquanto que o cristianismo terá representatividade de 31,4%.

O estudo do Centro Pew levou em consideração, entre outras coletas de dados, o efeito das migrações, as conversões, idade e o índice de fertilidade das populações religiosas. O levantamento concluiu que, em média, as muçulmanas têm 3.1 filhos, tornando-a a taxa mais alta entre os grupos religiosos. As mulheres cristãs têm 2.7 filhos, as hindus 2.4 e as judias 2.3.

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