Todos sabem que o Brasil é um país marcado por fortes contrastes sociais. Dentro das maiores cidades brasileiras é possível encontrar pequenas “ilhas de prosperidade”: regiões que apresentam indicadores sociais melhores que os das cidades mais desenvolvidas do mundo. Para ilustrar isso, a equipe de análise de geomarketing da Cognatis construiu o ranking de bairros brasileiros com base no nível educacional da população. Educação formal é apenas um recorte daquilo que popularmente associamos à ideia de prosperidade. Mas é uma das facetas mais importante do desenvolvimento humano, e portanto, permite uma síntese do tema.

Foram analisados três indicadores: i) média de anos de estudo (entre adultos), ii) percentual de responsáveis com curso superior, e iii) taxa de analfabetismo entre crianças entre 10 e 14 anos.  Naturalmente, estes  indicadores são fortemente correlacionados entre si, e apresentam, individualmente, vantagens e desvantagens para representar o conceito desejado. A discussão metodológica foge do escopo aqui, mas é importante dizer que o ranking muda muito pouco de acordo com o indicador escolhido. Por isso, facilitamos a apresentação ao classificar os bairros pela média de anos de estudo (completos) entre os adultos residentes. Melhor que criar um indicador misto que ninguém conseguiria interpretar.

A tabela abaixo mostra TOP 35 entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, e  algumas observações:

  • Ranking de bairros por nível de insturçãoO bairro com melhor desempenho é o “Loteamento Residencial Barão de Café” em Campinas. Este bairro, tal qual Jardim Universidade Pinheiros e outros, está muito próximo à uma grande instituição de ensino (neste caso, da UNICAMP), e possivelmente abriga muitos estudantes, pesquisadores e professores.
  • Chácara Flora em São Paulo, que vem em segundo lugar, é um  reduto de executivos estrangeiros expatriados por suas empresas multinacionais. Trata-se de uma comunidade pequena e bastante homogênea, o que ajuda em sua boa colocação. Também se encontra próximo a boas escolas de ensino médio e fundamental, muitas delas bilíngues, voltadas para o perfil daquela região.
  • No restante da lista, chama a atenção a presença de diversos bairros de Belo Horizonte.  A curiosidade decorre do fato de que Belo Horizonte não apresenta, agregadamente, melhor desempenho em indicadores de educação que as demais grandes capitais brasileiras. Por quê então apresenta tantos bairros entre os TOP 35? Uma possibilidade é que  BH apresente maior segmentação geodemográfica que outras cidades de grande porte, ou seja, que seus bairros apresentem maior homogeneidade  socioeconômica . Uma hipótese a ser testada…

A título  de comparação, estes bairros foram comparados com algumas das cidades internacionais mais emblemáticas.  A tabela abaixo apresenta um ranking internacional de cidades mundiais pelo  percentual de adultos com curso superior. Repare que Shanghai, topo do ranking, apresenta “apenas” 43% de responsáveis com curso superior completo. E que em São Paulo, como um todo, este número é 19%. Bem abaixo, em ambos os casos, dos cerca de  70% apresentados pelos nossos bairros campeões em educação! Naturalmente,  a comparação entre bairros e cidades é falaciosa e inadequada para fins de avaliação do nível de desenvolvimento social  de uma população, uma vez que em qualquer cidade, até mesmo nas cidades Europeias em que há maior homogeneidade social, há sempre bairros melhores e piores – por assim dizer. Mas a comparação permite pelo menos termos um referencial, o que justifica sua apresentação. A tabela abaixo foi extraída do  “World Cities Culture Report”, e pode ser acessado pelo link Ranking mundial de nível de instrução (cidades selecionadas)

Tabela 2 - Ranking Internacional de Educação

 

Abaixo, apresentamos mapas de algumas cidades com o destaque para os TOP bairros. Como era de se esperar, esses bairros tendem a estar próximos uns dos outros, normalmente concentrados nas áreas mais privilegiadas dentro das cidades. Na região metropolitana de São Paulo e Rio de Janeiro observa-se  uma leve tendência de desconcentração, com o surgimento de “ilhas prósperas” longe dos principais centros, como é o caso de Niteroi no Rio e Alphaville em Barueri. Infelizmente, pelo menos no caso de São Paulo, a tendência à desconcentração dos mais ricos e instruídos em direção a  regiões periféricas parece pouco sustentável para os próximos  anos, uma vez que o movimento, extremamente positivo para a cidade, não foi acompanhado por  melhoria na infraestrutura e serviços de transportes para esta população. Não acredita em nós? Converse com quem depende da Raposo Tavares todos os dias para ir à São Paulo!

 

 

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